Vem

Vem, vem, sejas tu quem fores
Não importa se és um infiel, um idólatra
Ou um adorador do fogo,
Vem, a nossa irmandade não é um lugar de desespero,
Vem, mesmo tendo violado o teu juramento cem vezes,
Mesmo assim, vem.

~Rumi


domingo, 21 de outubro de 2018

A Omissão de Adão


Vendo a mulher que o fruto da árvore devia ser bom para comer, pois era de atraente aspecto e era desejável para abrir a inteligência. Agarrou do fruto, comeu, deu dele também a seu marido, que estava junto dela, e ele também comeu.
(Génesis 3, 6)


Recuando a Gn 2: 17, lê-se o aviso de Deus a Adão:
mas não comas o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás.

Adão pagaria o preço por introduzir a morte na criação divina, sendo a sua primeira vítima. Ele temia essa possibilidade da morte, embora não a conhecesse.

Adão deveria ter passado esse mesmo temor à sua companheira. Ele sabia que, sendo o responsável pelo jardim, o castigo da desobediência seria imputado a ele, pois somente ele fora instruído sobre isso.


Relata o Gn 3:6:
Agarrou do fruto, comeu, deu dele também a seu marido, que estava junto dela, e ele também comeu.

Adão estava, afinal, junto da sua mulher Eva, enquanto ela era confundida pela serpente. Adão ali estava a ouvir cada palavra da tentação.
Adão ao ver Eva comer do fruto proibido, não só não a admoestou nem a reprovou, como se calou e também comeu. Vendo que nada aconteceu a Eva aparentemente, não hesitou em comer do fruto.

Ele ouviu Eva citar incorrectamente a ordem de Deus que ele, Adão, lhe transmitira cuidadosamente. Ele estava presente quando ela começou a olhar a árvore proibida, viu-a apanhar o fruto, viu-a comer do fruto e nada fez, nada disse. Ele falhou para com aquela que era da sua carne. Falhou, na sua primeira luta espiritual, em representar Deus. Falhou como homem!

Ele não a avisou como a um ser a quem se quer bem, dizer algo como «A serpente está a enganar-te para te fazer pensar que tens mais a ganhar se desobedeceres a Deus do que se permaneceres fiel a Ele. É uma mentira! Deixa-me contar-te exactamente o que Deus me disse antes de te ter feito. Olha à nossa volta. Isto é o Paraíso e é para nós. Não temos nenhuma razão para duvidar da bondade de Deus”. E dizer à serpente, Satánas - «Afasta-te! É mau o que nos ofereces!»

Parece que esse desejo de comer do fruto já se aninhara no coração de Adão, a primeira tentação, pois confiou mais no que via com os seus olhos e na palavra que Eva pronunciara, do que no que Deus lhe tinha dito em Gn 2: 17. Eva foi a cobaia de Adão, ele serviu-se dela.

A fé vem pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Deus (1Co 10: 17). Portanto, faltou a fé a Adão. Fraquejando na fé e duvidando da palavra de Deus, desobedeceu e também comeu do fruto proibido, tornando-se cúmplice de Eva e da serpente.
Desde Adão, todo o homem tem tido uma inclinação natural para permanecer em silêncio quando deveria falar. O homem sente-se mais confortável em situações nas quais sabe exactamente o que fazer.

Há que lembrar que Eva foi enganada pela serpente, mas Adão não (1 Tm 2.14). Ele sabia o que estava a acontecer.

Os homens têm um chamado singular para se lembrarem do que Deus disse e falarem de acordo, a adentrarem a perigosa incerteza com confiança e sabedoria que vem de ouvir a Deus. Em vez disso, como Adão, esquecem-se de Deus e permanecem em silêncio.


Porque atendeste à voz da tua mulher e comeste o fruto da árvore, a respeito da qual Eu te tinha ordenado: ‘Não comas dela’
(Génesis, 3, 17)

Procurarás apaixonadamente o teu marido, mas ele te dominará.
(Génesis, 3, 16)




Nota: Também os rabinos dos primeiros séculos da era cristã discutiram sobre que interpretação dar ao episódio da “costela” de Adão , e as reflexões foram muitas e às vezes contrapostas. Uma delas era que talvez Adão fosse um “andrógino” e que, depois da intervenção de Deus, se diversificou em homem e mulher (Bereshit Rabba).






fonte: O JARDIM VI – A omissão, Onde Estava Adão Quando Tudo Começou?

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Dêem-lhes vocês algo para comer, desde a casa de Arão



Numa casa de doidos onde não se reconhece o próprio pão, é servido o pão da inveja.

Ao fiel é servido o pão santo «Effathá».


Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar
e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele.

Jesus, afastando-Se com ele da multidão,
meteu-lhe os dedos nos ouvidos
e com saliva tocou-lhe a língua.
Depois, erguendo os olhos ao Céu,
suspirou e disse-lhe:
«Effathá», que quer dizer «Abre-te».

Imediatamente se abriram os ouvidos do homem,
soltou-se-lhe a prisão da língua
e começou a falar correctamente.
~Mc 7,31-37


Quando estavam sozinhos, Jesus colocou os dedos nos ouvidos do surdo-mudo e com sua saliva tocou a língua. Este gesto lembra a encarnação. O Filho de Deus é um homem inserido na realidade humana: ele tornou-se um homem, portanto, ele pode entender a condição dolorosa de outro homem e intervém com um gesto no qual a sua própria humanidade está envolvida. Ao mesmo tempo, Jesus quer deixar claro que o milagre acontece por causa de sua união com o Pai: para isso, ele olhou para o céu. Então, ele suspirou e pronunciou a palavra decisiva: Effatà, que significa "abrir". E imediatamente o homem foi curado: os seus ouvidos abriram-se, a sua língua soltou-se. A cura era para ele uma "abertura" para os outros e para o mundo.
~Papa Francisco, Angelus, Domingo, 9 de Setembro de 2018


A sós com o surdo-mudo, Jesus realiza gestos significativos: mete-lhe os dedos nos ouvidos, faz saliva e toca-lhe com ela a língua (vers. 33). Tocar com o dedo significava transmitir poder; a saliva transmitia, pensava-se, a própria força ou energia vital (equivale ao sopro de Deus que transformou o barro inerte do primeiro homem num ser dotado de vida divina – cf. Gn 2,7). Assim, Jesus transmitiu ao surdo-mudo a sua própria energia vital, dotando-o da capacidade de ser um Homem Novo, aberto à comunhão com Deus e à relação com os outros homens.


É precisamente o Coração que Jesus veio "abrir", libertar, para nos permitir viver plenamente o relacionamento com Deus e com os outros.


vide Tema do 23º Domingo do Tempo Comum

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Oração pelas Almas do Purgatório


Meu Deus e Senhor, pela Vossa infinita misericórdia, rezo e peço pelas almas do Purgatório, pelo perdão dos seus pecados, alívio das suas penas e dai aos pecadores a graça do arrependimento, para que possam contemplar a luz do Vosso rosto e chegar à bem-aventurança eterna, Vo-lo pedimos por intercessão do Vosso Filho Unigénito Jesus Cristo e da gloriosa sempre Virgem Maria, Consoladora dos aflitos.
Amém

Pais Nosso, Ave-Maria, Glória

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